Tasogare 


Tasogare faz parte do meu trabalho de conclusão do Bacharelado de Fotografia no SENAC. Quando comecei este trabalho buscava uma poética visual voltada para o processo de criação. Escolhi dar continuidade a uma pesquisa que havia iniciado em 2009, quando registrava o gesto dos corpos dos japoneses e seu caminhar pelo bairro Liberdade, mas, para Tasogare, não queria somente documentar esses corpos, buscava uma proximidade, uma relação. 


Surgiu então a ideia de pesquisar algumas manifestações culturais japonesas, entre elas o butô. O corpo que dança butô é um corpo em um processo inacabado; que nos leva a navegar em outra temporalidade, em outras formas de vida, ao expor invisibilidades e fragilidades através de sua sombra. Acompanhei o butô, através do contato com adançarina e performer Emilie Sugai. 


Comecei o trabalho com ela, gravando, fotografando e só depois percebi que deveria trabalhar com essas imagens com o processo artesanal de fotografia, dusting on, uma vez que havia contrastes entre o branco e o preto e, principalmente, porque me interessava ter uma experiência com a desaceleração dos meus gestos, na busca de os correlacionar com as marcas do butô. Trabalhar com o dusting on é um processo que exige persistência e calma, o movimento precisa ser mínimo como no butô. A cada ida ao laboratório, uma nova preparação da emulsão, um novo olhar. 


Quando comecei o trabalho buscava a perfeição das imagens nos vidros, mas as primeiras imagens ficaram com as marcas de meus gestos, o que me causou um desconforto enorme. Ao longo do processo fui descobrindo que buscava para compor a minha narrativa justamente o contrário do que inicialmente havia me desestabilizado: transferir para a superfície do vidro, as marcas, um desfazer das camadas do corpo da dançarina de butô, e de certa forma, do meu também.

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